Zinco e saúde intestinal: porque importa para a digestão
Como se relacionam o zinco, a saúde intestinal, a integridade da barreira, as enzimas digestivas e a imunidade? Necessidades diárias, fontes alimentares, limite superior e formas de suplemento.
Por Root Health TürkiyePublicado em Atualizado em 6 min de leitura

O zinco é um oligoelemento essencial, necessário para a renovação das células intestinais, a integridade das junções apertadas da mucosa intestinal, as enzimas digestivas e o trabalho das células imunitárias. Tomar zinco suficiente faz parte da saúde intestinal, mas mais não é melhor, porque doses altas prolongadas podem interferir na absorção do cobre. Para os adultos, os National Institutes of Health (NIH) dos EUA indicam uma ingestão diária recomendada de 11 mg para os homens e 8 mg para as mulheres.
O que é o zinco e o que faz no corpo?
O zinco é um mineral necessário ao funcionamento de centenas de enzimas, à síntese de proteínas, à divisão celular e à função imunitária. Como o corpo não armazena zinco, este tem de chegar regularmente através da alimentação. Para informação geral sobre o ingrediente, veja a nossa página sobre o zinco.
A barreira intestinal e o zinco
O revestimento intestinal é uma camada com a espessura de uma só célula que absorve nutrientes e limita a passagem de substâncias indesejadas. As proteínas das «junções apertadas» entre as células regulam essa passagem. Trabalhos laboratoriais e clínicos mostraram que o estado do zinco pode estar relacionado com a integridade dessas junções (Skrovanek et al., 2014; Sturniolo et al., 2001). Isso não significa, contudo, que os suplementos de zinco reduzam a permeabilidade intestinal em toda a gente; parte da investigação foi feita em culturas de células ou em grupos específicos de doentes.
Reparação, enzimas e ácido gástrico
O revestimento intestinal renova-se depressa, e a divisão celular e a síntese de proteínas dependem do zinco. O zinco faz também parte da estrutura de algumas enzimas digestivas e relaciona-se com a produção de ácido gástrico. Por isso pensa-se que uma carência grave de zinco pode afetar a digestão e a absorção de nutrientes. Fora de uma carência, não se pode garantir que os suplementos melhorem a digestão.
O microbioma: o equilíbrio é que conta
O microbioma intestinal é formado por biliões de microrganismos, e o zinco é necessário tanto ao hospedeiro como aos micróbios. Os estudos sugerem que alterações no estado do zinco podem estar relacionadas com a composição do microbioma, tendo-se também descrito que doses muito altas perturbam o equilíbrio microbiano. Para um microbioma diverso, importa mais a variedade da alimentação, que tratamos no nosso artigo sobre porque o seu microbioma intestinal adora variedade.
Imunidade e diarreia infantil
Uma parte significativa das células imunitárias reside no tecido associado ao intestino, e o zinco é necessário para a sua função (Wessels et al., 2017). Um dos usos clínicos mais bem documentados do zinco é a diarreia infantil: a Organização Mundial da Saúde recomenda suplementos de zinco a par da solução de reidratação oral em crianças com diarreia. É uma prática médica cuja dose e duração são definidas por um profissional de saúde, e não deve ser lida como automedicação para adultos.
Doenças inflamatórias do intestino e zinco
Em doenças como a doença de Crohn e a colite ulcerosa, podem surgir carências de alguns nutrientes, incluindo o zinco, por má absorção e baixa ingestão. As decisões sobre suplementos nestes casos dependem da evolução da doença e dos medicamentos utilizados, pelo que devem ser tomadas com um gastroenterologista ou um nutricionista. O zinco não é um tratamento destas doenças.
Stress e zinco
O stress crónico pode afetar o movimento e o funcionamento do intestino. A relação entre o estado do zinco e o stress é complexa, e transpor para as pessoas resultados obtidos em animais exige cautela. Na prática, o sono, as refeições regulares e uma alimentação equilibrada são também a forma mais segura de proteger indiretamente o estado do zinco.
Alimentos ricos em zinco
- Ostras e outros mariscos
- Carne de vaca, peru e outras carnes
- Sementes de abóbora, sésamo e castanha-de-caju
- Grão-de-bico, lentilhas e outras leguminosas
- Iogurte, queijo e ovos
Os fitatos das fontes vegetais podem reduzir a absorção de zinco; pôr de molho, germinar ou fermentar as leguminosas e os cereais atenua este efeito. Os vegetarianos podem precisar de um pouco mais.
Formas de suplemento e segurança
Entre as formas existentes no mercado estão o bisglicinato, o picolinato, o citrato e o gluconato de zinco e a carnosina de zinco. A carnosina de zinco foi examinada em alguns estudos sobre a mucosa do estômago e do intestino delgado (Mahmood et al., 2007), o que não quer dizer que beneficie todas as pessoas. Quanto à segurança, o NIH fixa o limite superior tolerável para adultos em 40 mg por dia. Ultrapassá-lo de forma constante pode levar a carência de cobre, náuseas e alteração da função imunitária. Os suplementos de zinco podem também interagir com alguns antibióticos; se toma medicação, pergunte ao seu médico ou farmacêutico.
Onde entra o Natural Barrier Support?
Segundo a Root, o Natural Barrier Support contém zinco como parte de uma fórmula com vários ingredientes. Para a lista de ingredientes e a quantidade por dose, guie-se pelo rótulo na página do produto e some a sua ingestão total de zinco proveniente dos alimentos e de outros suplementos. O produto não é um tratamento de qualquer doença intestinal; se estiver grávida, a amamentar, tiver uma doença crónica ou tomar medicação, fale primeiro com um médico.
Resumo prático
- Procure primeiro obter zinco suficiente através dos alimentos.
- Perante diarreia persistente, perda de peso ou queixas digestivas marcadas, consulte um médico; um suplemento não o substitui.
- Com suplementos de zinco, mantenha a ingestão diária total abaixo de 40 mg.
- Aumente a fibra e a variedade vegetal para o microbioma; produtos como o Relive Greens são apenas uma opção de apoio.
Fontes
As fontes abaixo provêm da bibliografia do artigo da Root; não foram verificadas de novo nesta página.
- Skrovanek S et al. (2014), World Journal of Gastrointestinal Pathophysiology 5(4):496-513: zinco e doenças gastrointestinais.
- Sturniolo GC et al. (2001), Inflammatory Bowel Diseases 7(2):94-98.
- Wessels I, Maywald M, Rink L (2017), Nutrients 9(12):1286: o zinco como guardião da função imunitária.
- Kambe T et al. (2015), Journal of Trace Elements in Medicine and Biology 31:158-162.
- Organização Mundial da Saúde: suplementação com zinco no tratamento da diarreia.
- National Institutes of Health, Office of Dietary Supplements: ficha informativa sobre o zinco para profissionais de saúde.
- Roselli M et al. (2003), Journal of Nutrition 133(12):4077-4082.
- Mahmood A et al. (2007), Gut 56(2):168-175: carnosina de zinco e integridade do intestino delgado.
Conclusão
O zinco é uma peça necessária mas não suficiente da saúde intestinal. Procure uma ingestão equilibrada através dos alimentos, não ultrapasse o limite superior com suplementos e peça a um médico que avalie as queixas digestivas persistentes.
Referências
- Wessels I, Maywald M, Rink L (2017), Nutrients 9(12):1286: zinc as a gatekeeper of immune function.
- World Health Organization: zinc supplementation in the management of diarrhoea.
- US National Institutes of Health, Office of Dietary Supplements: zinc fact sheet for health professionals.
- Mahmood A et al. (2007), Gut 56(2):168-175: zinc carnosine and small intestinal integrity.
